Forte de São Francisco Xavier do Queijo O Forte de São Francisco Xavier foi erigido junto à rochosa foz do rio Douro, sobre o penedo do Queijo, cuja toponímia acabaria por dar origem ao nome pelo qual a fortaleza é habitualmente conhecida, Castelo do Queijo. Integrada no plano de defesa da costa marítima portuguesa, levado a cabo no período pós-Restauração, a construção da fortaleza foi inicialmente delineada em 1561 pelo engenheiro francês Lassart, responsável por "inspeccionar as fortificações existentes e projectar as que fossem necessárias" na zona norte do país (MOREIRA, 1986, p.77). No entanto, "o escasso interesse estratégico" da zona do Queijo fez com que a edificação fosse adiada, iniciando-se somente cerca de 1661, segundo plano do engenheiro Miguel de LÉcole (idem, ibidem, p.78).
Castelo do Queijo ou Castelo de São Francisco Xavier, foi construído no século XV, no penedo do Queijo, local considerado sagrado para os povos celtas, as suas ruínas serviram de alicerces para a construção da actual fortificação, por volta de 1660. Durante as Guerras Liberais, esteve ocupado pelas forças de D. Miguel, tendo resistido a um ataque da artilharia dos navios da esquadra de D. Pedro, por volta de 1826. Também em 1846, durante a revolta da Maria da Fonte, ocupado pelas tropas da Junta do Porto, foi alvo de bombardeamentos pelas forças fiéis a D. Maria II. Classificado como Imóvel de Interesse Público, teve obras de restauro e encontra-se sob a guarda da Associação de Comandos, que o converteu num museu militar.
De planta trapezoidal "baseada num triângulo equilátero cujo vértice aponta ao mar" (idem, ibidem), o forte possui panos muralhados rodeados por fosso, com canhoeiras e guaritas rematadas por cúpulas. O grande portal de acesso ao interior, com ponte, é encimado pelo escudo real, permitindo o acesso ao átrio da praça, onde se edificou a Casa do Governador e espaços de aquartelamento de um piso. Uma rampa, colocada numa das extremidades da praça, dá acesso à bateria. A obra, dirigida pelo capitão Carvalhais Negreiros, foi edificada a expensas da edilidade local, que ficou também responsável pela sua manutenção futura, o que em muito desagradou aos vereadores da cidade do Porto. Estes acabariam por pedir ao rei D. João V, em 1717, que desactivasse as funções defensivas da fortaleza e extinguisse a sua companhia, por considerarem que o Castelo do Queijo era "inútil e supérfluo, que nenhuma utilidade é a dele, pois aquela costa por si se defende" (www.jf-nevogilde.pt). No entanto, e apesar dos argumentos apresentados, o monarca manteve a praça activa. No início do século XIX, a estrutura da fortaleza era considerada obsoleta, não tendo tido qualquer papel de relevância na defesa da cidade durante as Invasões Francesas. Porém, durante o cerco do Porto, entre 1828 e 1834, as tropas miguelistas ocuparam o Castelo do Queijo, num período conturbado que em muito contribuiu para a destruição de parte da estrutura. Depois da derrota absolutista, o forte ficou votado ao abandono, chegando a ser saqueado pela população.