A certeza de que com a construção da barragem de Alqueva a aldeia da Luz ficaria submersa fez desta localidade uma das mais badaladas do País. Vinte e três meses após o fecho das comportas desta gigantesca obra, os terrenos onde em tempos existiu a famosa localidade estão praticamente todos submersos.

A nova Aldeia da Luz foi construída para realojar os habitantes da antiga aldeia da Luz submergida pelas aguas da barragem de Alqueva. A nova aldeia foi construída de forma a manter no essencial as características da aldeia antiga.

A questão do realojamento dos habitantes da aldeia da Luz iniciou-se em 1981. Foram consideradas 3 hipóteses: indemnizar dos habitantes, transferi-los para uma povoação vizinha ou construir uma aldeia semelhante. Esta ultima alternativa foi a escolhida, sendo a preferida pela população.

As obras iniciaram-se em 1998 e terminaram em 2002. 

O dia 16 de Novembro de 2002 mudou, para sempre, a vida dos habitantes da Luz. Ao mesmo tempo que as águas do Guadiana iam submergindo o velho povoado, a três quilómetros de distância era inaugurada a nova aldeia. Envolta em promessas, parecia fadada para o progresso. Quase 13 anos depois, a maioria dos habitantes ainda não é dona do próprio quintal.

Casas ao estilo alentejano, todas iguais, numa paisagem aqui e ali pontuada por construções estranhamente modernas. Desajustadas. Construída em 2012 para substituir a antiga aldeia, submersa pelas águas da barragem do Alqueva, a nova povoação representava uma promessa de vida nova. Hoje, é um aglomerado de casas no meio de nada.

Uma aldeia postiça

 
O café Guloso é o refúgio dos homens da Luz. Sentado ao balcão, entre conversas e copos de vinho branco, Manuel Conde Ramalho, de 68 anos, não esconde as saudades da velha aldeia. “Aquela é que era a nossa aldeia, não é esta, postiça”. Guarda de caça, Manuel apresenta-se devidamente fardado e pronto para algum serviço que apareça. Pouco serviço, porque a caça é pouca. As águas invadiram o mato onde viviam os coelhos.

Os coelhos morreram e os próprios habitantes da Luz sentem-se uma espécie em vias de extinção. Manuel lamenta-se: “O meu pai teve sete filhos. Hoje, quem tem um ou dois já faz muito”. Além de não oferecer saídas de emprego, a aldeia surge aos olhos de Manuel como um local pouco apetecível para se viver. “Se alguma coisa de bom fizeram na nova aldeia, foi por engano”.

A culpa, diz, é dos engenheiros. Lembra, a propósito, os esgotos construídos na velha aldeia. “Os engenheiros foram um pedreiro de Mourão e outro lá da aldeia e a obra ficou bem feita. Nunca houve problemas. Aqui houve mais de uns cinquenta engenheiros, para quê?”.

A Nova Aldeia foi construída com a preocupação da manutenção dos traços e bens patrimoniais anteriores, sendo também construído um Museu com vista a perpetuar a memória da antiga aldeia e suas gentes. Uma colecção etnográfica da Aldeia, peças arqueológicas, estando o museu dotado de uma sala de exposições temporárias. 


A Aldeia está igualmente dotada de uma Praça de Touros, de um Lavadouro público que tem também a função e Miradouro com uma bonita vista sobre a Barragem do Alqueva, contando igualmente com a Igreja Paroquial do Sagrado Coração de Jesus, e uma réplica da Fonte Santa presente na antiga aldeia, que se dizia brotar águas milagrosas.


Em toda a área encontram-se diversas estações arqueológicas de diferentes períodos, muitas delas dadas a conhecer através da construção da Barragem.