Por que é que os homens do lixo são “Almeidas”?

 

Chamamos “Almeidas” aos homens que recolhem o lixo porque os primeiros a fazer esse trabalho vinham de Almeida, na Guarda, vila fronteiriça da comarca de Pinhel. Se fossem naturais da Lixa, cidade do concelho de Felgueiras, esta história tinha mais piada.

 

Por que é que há um arco no meio da Praça de Espanha?

 

O arco que está no meio da praça fazia parte do Aqueduto das Águas Livres e estava na Rua de São Bento. Foi desmontado aquando de umas obras de remodelação, em 1938, e esteve espalhado na rotunda da Praça de Espanha até 1998, ano em que um gigante apaixonado por Legos o devolveu à sua forma original.

 

É mesmo proibido dar de comer aos pombos? Porquê?




Dar milho aos pombos é proibido de acordo com o n.º1 do Art.º 60º do Regulamento de Resíduos Sólidos. A dieta é obrigatória para evitar que esta praga se reproduza. Ou seja, se os pombos comerem os seus restos de pão e bolos não vão comer o milho contraceptivo que é distribuído pela cidade com o objectivo de controlar essa encantadora população de aves que insiste em redecorar os nossos carros com os seus excrementos.

 

Quanto mede a rua da Betesga? É assim tão pequena?


A Rua da Betesga tem aproximadamente 10 metros de comprimento e é tida como a rua mais pequena de Lisboa. A expressão “meter o Rossio na Rua da Betesga” é usada sempre que um lisboeta muda de casa e tem de tirar o sofá pela porta da entrada.




Quanto tempo demoraram as obras de Santa Engrácia?

284 anos. De 1682 a 1966. Demorou, mas lá que ficou uma obra bonita, isso ficou. A expressão “como as obras de Santa Engrácia”, comum na língua corrente, é utilizada para referir-se a algo que não chegará a acontecer, ou que demorará muito a acontecer.




Há um faroleiro no Bugio?

 

O farol, no Forte de São Vicente do Bugio, deixou de ser uma fortificação em 1945 e tornou-se automático em 1981. No ano seguinte os faroleiros foram mandados para casa e desde então que está vazio. Isto significa que se quiser pode ocupar o forte, declarar a sua independência e começar a emitir moeda. Não diga a ninguém que fomos nós que demos a ideia.

 

Estamos todos familiarizados com a Segunda Circular, mas onde fica a Primeira Circular?

 

A Primeira Circular existiu e “circulava” a cidade no século XIX: começava no Largo de Alcântara, passava pela Rua D. Carlos, Rua Marquês da Fronteira, Duque de Ávila, Praça do Chile e por aí acima pela Morais Soares para depois descer até Santa Apolónia. Representava na altura os limites da cidade, que entretanto transbordou e vai daí fez-se uma Segunda Circular.

 

Porque razão o corvo é o símbolo de Lisboa?




Reza a lenda que, no tempo da ocupação muçulmana da Península Ibérica, os cristãos de Valência quiseram levar o corpo de São Vicente, martirizado pelos mouros, para as Astúrias, na altura o único reduto cristão seguro da Península. No entanto, não conseguiram passar além do Algarve, tendo aí sepultado o mártir e criado a aldeia de São Vicente. Anos mais tarde, D. Afonso Henriques conquista o Algarve, mas nos confrontos a aldeia é destruída. Não se sabia onde São Vicente estava enterrado. É então avistado um bando de corvos a sobrevoar de forma insistente um local e são encontrados aí os restos mortais do santo. Em 1176, D. Afonso Henriques ordena que rumem a Lisboa, sendo que durante a viagem o barco é sempre acompanhado e protegido por dois corvos. É por isso que ainda hoje o corvo é considerado o guardião da cidade.

Qual é a pata direita do cavalo de D. José?




É a esquerda. Não conhece o trocadilho? É uma provocação tão antiga como a estátua equestre que está no Terreiro do Paço. A pata direita – ou que está “a direito” – é a pata esquerda do cavalo. A pata do seu lado direito está ligeiramente dobrada, daí ser possível brincar com os vários significados da palavra “direita”. É rir a bom rir. E qual é a cor do cavalo branco de D. José? Ok, ok, vamos parar com isto.

 

É verdade que a estátua que está no Rossio é de um imperador mexicano?

 

Não e é uma pena. Dava uma belíssima história. O mito urbano de que a estátua que está na praça do Rossio não é de D. Pedro IV, mas sim do imperador Maximiliano do México, é só isso mesmo: um mito. Reza a lenda que o escultor tinha feito uma belíssima estátua do tal imperador, entretanto fuzilado, e para não dar o trabalho por perdido reciclou-a como homenagem ao monarca português.