A escassos 100 metros da Livraria Lello fica um raro conjunto monumental, classificado como monumento nacional desde 2013. Falamos das igrejas gémeas dos Carmelitas e do Carmo. Vamos saber mais…

Bela igreja, vale a pena ser visitada, revistida por azulejos pintados à mão na parte lateral da igreja.

A fachada da igreja é toda de azuleijos pintados a mão. A igreja é muito antiga. Vale a pena visitá-la e observar os detalhes riquissimos. Recomendo!

“A implantação geminada de duas igrejas constitui uma raridade no panorama urbano nacional, constituindo uma cenografia de grande impacto visual na zona nobre do Porto setecentista, marcado pelo espírito do urbanismo iluminista” – refere o decreto de 2013 que institui a classificação de monumento nacional ao conjunto. Na verdade, esta disposição lado a lado permite observar dois edifícios de grande qualidade, ilustrativos da evolução histórica da arte em Portugal.

Igreja do séc XVII cuja fachada clássica data da década de cinquenta do séc. XVIII, e o seu projecto tem sido atribuído ao arquitecto-pintor Nicolau Nasoni. O retábulo-mor foi considerado uma peça estilisticamente revolucionária, na talha rococó portuense. Edifício classificado como monumento nacional.

Monte Carmelo

Originalmente chamada Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, mais conhecida simplesmente como Ordem do Carmo ou dos Carmelitas surgiu, como ordem religiosa católica, no final do século XI no Monte Carmelo, próximo da atual cidade de Haifa, em Israel.

Conta a tradição que o profeta Elias se instalou numa gruta do Monte Carmelo, adotando uma vida ascética de oração e silêncio. Nele, e no seu modo de vida, se inspiraram os primeiros religiosos da ordem. Em 1226, a regra da Ordem do Carmo foi aprovada pelo papa Honório III.

No século XVI, Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz conduziram um processo de renovação da Ordem do Carmo que deu origem a um novo ramo – os carmelitas descalços – autonomizado pelo papa Clemente VIII, em 1593.

No Porto, os carmelitas descalços surgiram em 1617. Dois anos depois, receberam um terreno no Campo do Olival para erguer o edifício do Convento de Nossa Senhora do Carmo. Com a primeira pedra lançada a 5 de maio de 1619, a obra ficou concluída em 1622, beneficiando de donativos de aristocratas, mercadores e da própria Câmara do Porto. O edifício do antigo convento é hoje ocupado pelo Comando Territorial do Porto da Guarda Nacional Republicana.

A igreja, erguida do lado nascente do convento, representa um bom exemplo de fachada maneirista erudita. Apresenta planta em cruz latina abobadada com uma nave única precedida por nártex. A frontaria clássica, ritmada pelos três arcos da entrada, encimados por nichos que albergam imagens de São José, de Santa Teresa e de Nossa Senhora do Carmo. A fachada é rematada por um frontão triangular que ostenta o brasão da ordem religiosa sob a coroa real.

O seu interior contém um valioso património retabular barroco e rococó, em notável estado de conservação e integridade. Inclui um órgão de tubos e um retábulo-mor de José Teixeira Guimarães, grande mestre entalhador da segunda metade do século XVIII.

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